Home Saúde Covid: 75% dos mortos em MG nos últimos 6 meses não tinham se vacinado com nenhuma dose

Covid: 75% dos mortos em MG nos últimos 6 meses não tinham se vacinado com nenhuma dose Apenas 10,9% das vítimas estavam com o esquema vacinal completo. Dados indicam o que especialistas vêm dizendo desde o início da pandemia: qualquer imunizante é seguro e eficaz.

8 de outubro de 2021, 14h35 | Por Redação ★ Blog do Lindenberg

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Por G1

Três em cada quatro pessoas que morreram em decorrência da Covid-19 entre abril e setembro deste ano em Minas Gerais não tinham tomado nenhuma dose de qualquer imunizante contra o coronavírus.

Dados do sistema SIVEP-Gripe, do Ministério da Saúde, atualizados em 29 de setembro, mostram que, dos 26.457 óbitos causados por síndrome respiratória aguda grave por Covid-19 nos últimos seis meses, 19.993 foram de não vacinados, o que representa 75,57% do total.

Outras 3.444 mortes foram de pessoas vacinadas apenas com a primeira dose contra a doença, o equivalente a 13,02% do total. Para garantir a imunidade máxima, é necessário tomar duas doses dos imunizantes, exceto o da Janssen, que é de dose única.

Em 136 casos que evoluíram para óbito (0,51% do total), as vítimas chegaram a se vacinar com as duas doses ou receberam o imunizante de dose única, mas morreram antes de completar o prazo de 14 dias para a aquisição da imunidade – estima-se que o potencial máximo de proteção seja atingido cerca de duas semanas após a última dose do esquema vacinal.

Entre o total de mortes, 10,9% eram de pessoas com o esquema vacinal completo: 2.884 vítimas tinham tomado as duas doses ou o imunizante de dose única há pelo menos 14 dias quando faleceram.

Os dados foram informados ao g1 pela Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG).

Os números reforçam o que os especialistas vêm dizendo desde o início da pandemia: todas as vacinas disponíveis no país são eficazes e protegem contra a Covid-19. Elas reduzem a chance de adoecimento, de hospitalizações e óbitos, mas nenhum imunizante garante 100% de proteção. Por isso, também há mortes entre pessoas com o esquema vacinal completo.

Segundo a SES-MG, não se vacinar aumenta a probabilidade de óbito pela SRAG-Covid.

“A principal boa nova que a gente tem com a vacina é a redução de casos graves e óbitos. É essencial que o esquema vacinal seja começado e que as pessoas fiquem atentas para completar com a segunda dose e ir aos postos na data correta. É importante se vacinar por mim e pelo outro também”, disse a coordenadora do Centro de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde (CIEVS-Minas), Eva Arcoverde.

Até esta quinta-feira (7), 15.049.146 pessoas tomaram a primeira dose de vacina contra a Covid-19 em Minas Gerais, o que corresponde a 70,28% da população total do estado. Com o esquema vacinal completo, são 8.969.500 mineiros, o equivalente a 41,89% do total.

O avanço da vacinação permitiu também a redução do número de mortes por Covid-19 em Minas Gerais. Segundo dados do SIVEP-Gripe, em abril, foram registrados 9.256 óbitos. O número caiu ao longo dos últimos meses e chegou a 808 em setembro.

Segundo o infectologista e professor emérito da Faculdade de Medicina da UFMG, Dirceu Greco, mesmo com a aceleração da vacinação, o percentual da população imunizada ainda é muito aquém do necessário. Por isso, é preciso manter outros cuidados, como o uso adequado de máscaras e o distanciamento.

Para quem não quer se vacinar, o especialista lembra que outras doenças só foram erradicadas com a imunização.

“É preciso lembrar a essas pessoas que elas escaparam de poliomielite, sarampo e febre amarela porque se vacinaram. A vacina não devia ser encarada como uma obrigação, ela é um direito. As pessoas deveriam estar lutando para serem vacinadas”, afirmou Greco.

Cerca de 1,8 milhão pessoas estão com a segunda dose atrasada no sistema da SES-MG. O chefe da pasta, Fábio Baccheretti, destacou a importância de completar o esquema vacinal e que a Covid-19 é muito mais grave do que qualquer possível efeito adverso da vacina.

“Vale o alerta: se teve alguma febre, algum incômodo com a primeira dose, isso não é nada perto da doença. A doença realmente é muito mais grave do que qualquer efeito adverso com qualquer vacina (…) Então, se chegou a hora da segunda dose, busque, porque a imunidade se dá com duas doses. Diferentemente da Janssen, que é dose única, a imunidade só acontece com duas doses”, disse Baccheretti, em entrevista à CBN.

Foto: REUTERS/Dado Ruvic

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