Home Economia Dólar dispara e atinge maior alta em quase dois anos, enquanto a bolsa registra queda acentuada desde dezembro

Dólar dispara e atinge maior alta em quase dois anos, enquanto a bolsa registra queda acentuada desde dezembro Com anúncio de retaliação da China às tarifas de Donald Trump, investidores intensificam receios sobre uma nova guerra comercial.

4 de abril de 2025, 17h43 | Por Letícia Horsth

by Letícia Horsth

O Ibovespa sofre forte queda, os índices de Wall Street desabam e o dólar dispara nesta sexta-feira (4), impulsionados pelo temor de uma guerra comercial global após a China anunciar retaliação às tarifas de Donald Trump.

A moeda americana à vista avançou 3,72%, fechando a R$ 5,8382 na venda. Esse é o maior aumento do dólar desde 5 de maio de 2023, quando registrou uma alta de cerca de 5%.

No Brasil, o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores, despencou 2,96%, chegando a 127.256 pontos. Esse é o pior desempenho percentual registrado em um único dia desde 18 de dezembro de 2023, quando teve uma queda de 3,15%.

A China anunciou que, a partir de 10 de abril, implementará tarifas recíprocas de 34% sobre todas as importações provenientes dos EUA. Em resposta, Trump criticou a retaliação, afirmando que a China “fez a escolha errada”.

A analista Bruna Centeno, sócia da Blue3 Investimentos, destaca que a incerteza global se intensifica, uma vez que as políticas comerciais podem impactar preços, taxas de juros e, por consequência, as perspectivas de crescimento das economias.

Breno Falseti, gestor da Rubik Capital, ressalta que a escalada dessa guerra comercial pode afetar significativamente a atividade econômica mundial, especialmente a dos Estados Unidos. “A possibilidade de uma queda considerável na atividade econômica, acompanhada de aumento nos preços, é prejudicial para os mercados acionários, especialmente nos países desenvolvidos”, afirma Falseti.

Ele ainda destaca que, apesar de ser cedo para determinar os rumos dos mercados, a Europa e a China são, provavelmente, os maiores prejudicados com as novas taxas de importação.

Mercados globais em queda
Nos Estados Unidos, os principais índices de Wall Street caíam fortemente, indicando perdas acentuadas na última sessão da semana devido aos receios de uma guerra comercial. O S&P 500 recuava 5,63%, o Nasdaq 100 perdia 5,52%, e o Dow Jones caía 5,09%.

As bolsas europeias também operavam em forte baixa, ampliando as perdas do dia anterior, com investidores cada vez mais avessos a ativos de maior risco devido ao novo aumento de tarifas do governo Trump. O índice Stoxx 600 caiu 5,1%.

Na Inglaterra, o FTSE 100 perdeu 4,95%, encerrando em 8.054,98 pontos. O DAX, de Frankfurt, teve queda de 4,95%, fechando a 20.641,72 pontos, enquanto o CAC 40, de Paris, recuou 4,26%, a 7.274,95 pontos. Em Madri, o Ibex 35 caiu 5,83%, para 12.422,00 pontos, e o PSI 20 de Lisboa recuou 4,75%, a 6.635,79 pontos. Já o FTSE MIB de Milão caiu 6,53%, a 34.649,22 pontos.

Na Ásia, o Nikkei de Tóquio registrou uma queda de 2,75%, indo a 33.780,58 pontos, o pior nível desde 5 de agosto do ano passado. As bolsas da China, de Hong Kong e de Taiwan não abriram devido a feriado.

Ações de bancos em queda
As perdas nas ações de bancos intensificaram-se globalmente, com os papéis dos bancos japoneses registrando as maiores quedas em pelo menos 40 anos. Nos Estados Unidos e na Europa, os bancos também continuaram a ser atingidos, com o medo de uma recessão global influenciando os mercados.

As ações dos três principais bancos japoneses caíram mais de 20% esta semana, a maior queda desde a crise financeira de 2008.

Retaliação comercial e economia dos EUA
Na quarta-feira, Trump havia anunciado uma tarifa adicional de 34% sobre produtos chineses, além de 20% já implementados, elevando as taxas totais para 54%. A medida inclui uma taxa mínima de 10% sobre todas as importações dos EUA, com tarifas mais altas para certos parceiros comerciais.

No cenário econômico dos EUA, os mercados ainda estavam monitorando novos dados de emprego. O governo dos EUA divulgou que foram criados 228.000 novos postos de trabalho em março, número superior às previsões de 135.000 e acima dos 210.000 registrados no mês anterior.

O mercado, por sua vez, ajusta suas expectativas, prevendo agora pelo menos quatro cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed) neste ano, devido à expectativa de que o banco central precise agir para evitar uma recessão. Antes do anúncio de Trump, a projeção era de apenas duas reduções na taxa de juros.

Foto: Reprodução.

LEIA TAMBÉM

Envie seu comentário