A Polícia Federal indiciou Eduardo Tagliaferro, ex-assessor do ministro Alexandre de Moraes no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), por violação de sigilo funcional e prejuízo à administração pública. O inquérito foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) na noite desta terça-feira (1º).
Tagliaferro foi alvo de investigação por divulgar conversas privadas do ministro com servidores do TSE e do STF. A Polícia Federal concluiu que ele cometeu a violação de maneira consciente e deliberada, considerando que ocupava um cargo de confiança na Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação do TSE.
O relatório de 21 páginas apresentado pela PF reuniu arquivos do celular de Tagliaferro, apontando que o vazamento das informações foi intencional. O documento da PF revela que ele compartilhou com um jornalista dados sigilosos que obteve enquanto trabalhava no TSE, os quais deveriam ser mantidos em segredo.
“O diálogo revelou que Tagliaferro divulgou informações confidenciais obtidas durante seu trabalho na Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação do TSE. Essas informações deveriam permanecer em sigilo”, afirma o relatório. “O objetivo da divulgação foi prejudicar a imagem do ministro do STF, questionar sua imparcialidade e, finalmente, desestabilizar ainda mais o cenário político do país, impedindo o andamento das investigações sobre organizações criminosas”, completa o texto.
Agora, a Procuradoria-Geral da República (PGR) irá analisar o relatório da PF para decidir se há elementos suficientes para apresentar uma denúncia à Justiça, se serão necessárias mais diligências ou se o caso será arquivado.
A CNN entrou em contato com a defesa de Tagliaferro, mas ainda não recebeu uma resposta.
Relembre o caso:
A investigação foi aberta após a divulgação de mensagens que indicavam que o ministro Alexandre de Moraes teria utilizado o TSE para investigar aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro, conforme reportagem do jornal Folha de S. Paulo.
As mensagens, que incluem trocas de informações informais, sugerem que o gabinete de Moraes solicitou ao setor de combate à desinformação do TSE a produção de relatórios sobre bolsonaristas durante e após as eleições de 2022. Os pedidos foram feitos de maneira não oficial por Airton Vieira a Eduardo Tagliaferro, que chefiava a Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação (AEED) no TSE. Tagliaferro deixou o cargo em maio de 2023 após ser preso sob acusação de violência doméstica contra sua esposa.
Os diálogos revelaram pelo menos 20 casos em que o gabinete de Moraes solicitou relatórios informais ao TSE.
O gabinete do ministro Alexandre de Moraes, por meio de nota, afirmou que todas as requisições feitas durante as investigações foram legítimas e realizadas de forma oficial. “Os relatórios simplesmente descreviam postagens ilícitas nas redes sociais, de forma objetiva, pois estavam diretamente relacionados às investigações sobre milícias digitais”, explicou o gabinete. “Todos os procedimentos foram regulares, documentados nos inquéritos e com a total participação da Procuradoria-Geral da República”, conclui a nota.
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