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Tarifas de Trump e incertezas globais levam o Ibovespa a registrar pequena queda Principais índices dos EUA registram forte queda em resposta às tarifas econômicas de Trump.

3 de abril de 2025, 18h40 | Por Letícia Horsth

by Letícia Horsth

Na quinta-feira, 3 de abril de 2025, os mercados sentiram o impacto das tarifas que estavam sendo preparadas há meses e finalmente foram anunciadas no dia anterior pelo governo dos Estados Unidos. O mundo dos negócios e a geopolítica foram abalados, gerando um clima de aversão ao risco como não se via há muito tempo.

No entanto, nem tudo foi negativo. No Brasil, por exemplo, houve um alívio. O Ibovespa, apesar da volatilidade, conseguiu fechar o dia com uma leve queda de apenas 0,04%, aos 131.140,65 pontos, perdendo 49,69 pontos. O índice chegou a atingir 132,5 mil pontos na máxima do dia, mas também passou por momentos negativos durante o pregão.

O dólar comercial teve uma queda expressiva de 1,23%, fechando a R$ 5,629, seguindo a tendência de desvalorização da moeda americana globalmente. Os juros futuros (DIs) também recuaram ao longo de toda a curva.

Tarifas: um erro grave da Era Moderna

Os próximos dias, no entanto, podem trazer mudanças dependendo das reações dos diferentes países. O cenário ainda está no começo. A verdade é que o anúncio das tarifas foi pior do que muitos previam. Para a revista britânica The Economist, o plano foi descrito como “o erro econômico mais grave, prejudicial e desnecessário da Era Moderna”, e a data foi marcada como o “Dia da Ruína”. O Canadá já reagiu e países emergentes estão se preparando para o que chamam de “ponto de virada”. A China e a União Europeia ameaçam retaliações pesadas.

“O fato é claro: essas tarifas irão aumentar o custo de milhares de produtos essenciais, de telefones a alimentos, o que impulsionará a inflação em um momento em que ela já está persistentemente alta”, afirmou Nigel Green, CEO da consultoria financeira global deVere Group. A empresa Maersk, segunda maior operadora de transporte de contêineres do mundo, também se manifestou, dizendo que o plano tarifário foi significativo e, em sua forma atual, claramente prejudicial para a economia, a estabilidade e o comércio global.

A Organização Mundial do Comércio (OMC) previu que as tarifas podem causar uma contração de 1% nos volumes globais de comércio. O Federal Reserve alertou que as tarifas podem gerar “interrupções generalizadas” em setores-chave da economia dos EUA. Para o economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale, o maior prejudicado será o consumidor americano: “Os produtos vão ficar muito mais caros nos próximos meses e por um bom tempo. É difícil imaginar que Trump volte atrás, dada a intensidade desse ajuste.”

O que incomodou ainda mais foi o fato de o governo Trump ter adotado uma abordagem simplista para tomar suas decisões.

O resultado foi uma série de perdas nos mercados globais, com uma verdadeira “turbulência”. Na Europa, as quedas foram significativas, e nos Estados Unidos, os três principais índices enfrentaram sua pior baixa em dois anos, com o Nasdaq perdendo quase 6%.

Foto: Reprodução.

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