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General explica a origem da crise Derrotado ao GDF com bandeira bolsonarista, o general da reserva diz que manterá "apoio crítico" ao presidente. "Quero que dê certo"

18 de outubro de 2019, 16h23 | Por Carlos Lindenberg

by Carlos Lindenberg

Derrotado na disputa ao Governo do Distrito Federal (GDF) mesmo empunhando a bandeira bolsonarista, o general Paulo Chagas (sem partido) atribuiu à “incontinência verbal do presidente” a atual crise política vivida no país. Segundo o militar da reserva, a divisão da base governista no Congresso Nacional é reflexo da falta da vivência de Jair Bolsonaro (PSL) nas articulações parlamentares durante o período em que ocupou a cadeira de deputado federal. Na época, o então deputado fazia parte da ala conhecida como baixo clero.

“O meu conceito dessa operação é que vejo uma falha do próprio presidente. Quem tinha que dar corda e também controlar a base era o próprio presidente ou alguém por ele designado, obviamente com credenciais de competência e experiência, o que não está acontecendo. A parte de gestão, os ministérios estão muito bem. O que atrapalha é a incompetência política da base de apoio ao governo O presidente também não conseguiu unir a base de apoio porque ele nunca trabalhou em equipe”, disse à coluna.

Paulo Chagas avalia que Bolsonaro comete equívocos pelas declarações polêmicas dadas recentemente, como a que classificou, em diálogo com um eleitor, o presidente nacional do PSL, deputado federal Luciano Bivar (PE), como “queimado”. “O presidente fala coisas que, naquele tempo em que ele era deputado, era problema só dele. Agora, não. Ele é presidente da República. Quando ele resolve parar para falar com o povão e ser ovacionado – mas acaba falando mal do comandante do partido dele –, já vira uma celeuma. Ele não precisava ter falado aquilo e, se tivesse que resolver algum problema, que fizesse diretamente com o Bivar e não dessa forma”, observou.

Desfiliado do PRP, mas observador do cenário político nacional, o general não disfarça o tom crítico com a atual situação política do país, mas garante que mantém o “apoio crítico” à gestão bolsonarista. “Eu nunca cobrei nada do FHC, do Lula ou da Dilma, porque nunca votei em nenhum deles. Agora, desse governo eu cobro e vou cobrar, porque fiz campanha, pedi votos e também votei nele. Tenho que cobrar e ter uma visão crítica construtiva. Com essa crise da incontinência verbal do presidente, perdemos espaço no Congresso e apoio. O desgaste está feito, mas quero muito que este governo dê certo”.

Crise no PSL
Luciano Bivar e Jair Bolsonaro têm se distanciado desde que o cacique do PSL foi tragado por denúncias de ter registrado candidaturas laranja de mulheres com objetivo de desviar recursos do fundo partidário. Desde então, a sigla vem sofrendo crise após crise. A mais recente foi a tentativa frustrada de mudar a liderança da legenda na Câmara dos Deputados. O novo nome seria de Eduardo Bolsonaro (SP), o filho “Zero 3” do presidente, mas, sem assinatura da maioria da bancada, o atual líder, Delegado Waldir (PR) foi mantido.

Os aliados do presidente da República defendem a destituição de Waldir da função. Contudo, de olho na verba para a campanha municipal do ano que vem, a bancada acabou rachada entre os bolsonaristas e os agora classificados como “infiéis”. A crise pegou também a então líder do Governo no Congresso Nacional, deputada Joice Hasselmann (PSL-SP). Ela foi retirada do cargo pelo presidente Bolsonaro após assinar uma lista de apoio ao Delgado Waldir. O senador Eduardo Gomes (MDB-TO) foi a escolha do titular do Planalto para assumir a cadeira.

Fonte/Créditos: Metrópoles

Foto: Reprodução

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