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Estrela da Superliga revela assalto com arma na cabeça e cogita deixar o Brasil Ponteira sérvia do Fluminense, Aleksandra Uzelac sofre com crises de pânico após ser assaltada duas vezes no Rio de Janeiro.

31 de março de 2024, 17h57 | Por Letícia Horsth

by Letícia Horsth

A ponteira sérvia Aleksandra Uzelac, do Fluminense, revelou, nesta sexta-feira (1º), que foi assaltada duas vezes no Rio de Janeiro no mês passado. Em tom de despedida do Brasil, a jovem, de 19 anos, afirmou que foi ameaçada com uma faca o primeiro crime e com uma arma no segundo.

Destaque do Fluminense, Uzelac disse que, no primeiro assalto, estava pedalando com uma amiga quando tudo aconteceu. As declarações foram feitas ao site sérvio Mozzart.

“Dois [criminosos] correram em minha direção, levantaram as camisas e tiraram facas. Eram facões, facas realmente enormes. Nem sei como elas cabiam nas camisas. Comecei a gritar e não sabia o que fazer. Posso dizer que Deus me salvou, porque nem caí da bicicleta e corri para a rua onde há carros e motos. Eu poderia ter sido atropelada. Minha amiga não conseguiu atravessar, ela caiu. Um me seguiu e o outro foi até ela. Parei, joguei a bicicleta fora, esperei por ela e parei um carro. Não pude fazer mais nada. Um táxi parou, de alguma forma entramos e fomos juntas à polícia”, descreveu.

Segundo Uzelac, a cena segue na sua cabeça mesmo após algumas semanas depois do crime.

“Eles [policiais] não fizeram nada lá, apenas nos levaram para casa mais tarde. Tudo aconteceu muito perto da delegacia. Fiquei muito traumatizada, foi muito assustador e não consigo tirar essa imagem da minha cabeça quando eles estão vindo até nós com facas. Ninguém veio ajudar, porque as pessoas não sabem o que esses criminosos podem pensar e para o que estão preparados”, complementou.

Já com relação ao segundo assalto, a ponteira tinha acabado de assistir a um jogo do Fluminense e estava voltando para casa quando foi surpreendida pelos bandidos.

“Estava voltando do clube para o meu apartamento, estava jantando com minha amiga. Antes, assistimos a um jogo de futebol do Fluminense, estava tudo ótimo. Paramos o Uber, entramos no carro. Mandei uma mensagem para meu namorado Danilo dizendo que estava tudo bem e que chegaria em casa em 30 segundos, já que moro a 100 metros do clube”, ponderou.

“Eu estava olhando para o telefone, e minha amiga pegou minha mão e começou a gritar ‘Uzi, Uzi, Uzi’. Quando olhei, estavam parados na nossa frente dois carros, atrás também, ao lado de duas motos. Homens saem com pistolas. Dois pararam na frente do carro e os outros bateram em todas as portas com uma pistola. Eles gritavam para darmos tudo o que tínhamos. Abriram a porta e apontaram a arma em direção à nossa cabeça. Estávamos gritando, quatro armas, inclusive aquela com silenciadores. Eles nos revistaram e um deles começou a entrar no carro, mas, de alguma forma, conseguimos pular e começar a correr. Não passava nada pelas nossas cabeças”, disse.

Violência no Rio assusta Aleksandra Uzelac
Durante a entrevista, Uzelac comentou sobre a violência no Brasil e revelou, ainda, ter crises de pânico após ter sido vítima dos assaltos.

“Na Sérvia, só vimos algo assim em filme. Só quando algo assim realmente acontece com você é que você vê como isso é terrível. Cheguei no meu apartamento com minha amiga, ela estava lá comigo, não dormi nada. Depois de tudo, comecei a ter ataques de pânico. Uma noite foi muito assustador, Danilo também se assustou. Não me lembro de nada, só acordei no meio da noite e comecei a gritar, gritar, pensei que alguém estava me perseguindo. Liguei para minha mãe e disse que queriam me matar no apartamento. Achei que alguém estava me ligando. O trauma é grande. Esse mesmo motorista, que não é carioca, nos contou que já viu situações parecidas e que pessoas foram mortas. Para eles, é como um bom dia”, lamentou.

“Logo depois, viajamos para um jogo, então eu não estava no Rio. Estou com muita dificuldade para dormir, agora estou tomando remédio por causa dos pesadelos. Fico bem durante o dia, mas é difícil à noite. Ainda estou cansada, porque durante alguns dias não dormi nada. Só agora estou conseguindo fechar um pouco os olhos. Estou tentando me concentrar no vôlei, porque quero lidar com isso e seguir em frente. Não quero que isso me perturbe tanto.

Família de Uzelac quer saída da ponteira do Brasil
“Mamãe e papai queriam vir imediatamente para voltarmos para casa juntos. É claro que eles não têm certeza se devo ficar aqui. Quem teria certeza se algo assim acontecesse com seu filho? Eu acordo no meio da noite e ligo para minha mãe. Eu grito no telefone. Você entende o trauma que isso é para ela também? Eles se preocupam todos os dias e com certeza não querem que eu fique. Estou tentando de alguma forma esquecer. Felizmente, Danilo está aqui, então não estou sozinha. Acho que vou conseguir aguentar, ficarei aliviada quando tudo isso acabar e quando for embora. Me diverti muito, adorei o clube e tudo mais, gostei, e aí acontece uma coisa assim e estraga tudo”, encerrou.

Na entrevista, Uzelac abriu o jogo e disse que há a possibilidade de sequer terminar a temporada 2023/2024 pelo Fluminense.

“Houve negociações, não havia nada certo se continuaria ou não. Mas, depois de tudo isso, nem tenho certeza se terminarei a temporada no Fluminense. É bem possível que me dedique nos próximos dois meses e me prepare para a seleção. Se eu pedir ajuda de um psicólogo, com certeza será na Sérvia, não aqui. Eles me apoiam no clube, estão lá para tudo, mas tenho que ver o que é melhor para mim. É difícil quando sua vida está em perigo”, encerrou.

Uzelac é a maior pontuadora da Superliga
Com apenas 19 anos, Uzelac é a maior pontuadora da Superliga Feminina, com 357 pontos. A vice-líder no quesito é a oposta Kisy, do Minas, com 321 pontos.

A ponteira da Sérvia também lidera o número de aces na Superliga, com 29.

Com informações do Itatiaia.
Foto: Mailson Santana/FFC.

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