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O exemplo de JK no contraponto com os dias atuais

28 de setembro de 2019, 16h58 | Por Carlos Lindenberg

by Carlos Lindenberg

A propósito da resposta grosseira que o presidente Jair Bolsonaro deu a um daqueles que se postam na saída do Alvorada, na adoração ao mito, num cochicho feito no ouvido de um segurança, vê se isso é coisa que se faça, mas continuando, lembrei de uma história parecida, mas num outro nível, que me foi contada pelo ex-senador Murilo Badaró – uma das boas memórias da velha e boa política mineira, por quem, aliás, tenho saudade.

Veja o vídeo:

Continua…

A história começa, já faz tempo, com um destempero verbal do ex-governador Hélio Garcia, outra grande figura da política mineira, comigo. Hélio reclamava, em voz alta, que eu estava criticando demais o governo dele – o que era em parte verdade – mas jornalista existe é para criticar mesmo, não é para ficar elogiando, até porque para isso eles, os governantes, já têm os seus áulicos. Eu não tinha muito o que fazer a não ser ouvir o desabafo do então governador, bem ali numa solenidade noturna no Departamento de Instrução da Polícia Militar.

Nessa época o jornal Hoje em Dia era muito influente em Minas, ocupava o segundo lugar em vendas e assinaturas e eu tinha uma coluna diária lá. Pois resolvi voltar ao jornal e escrever uma coluna com o título a “A carraspana do Hélio”, posto que o então governador, com quem eu me dava bem, estava costumeiramente alterado não só no tom de voz, mas também no vermelho da face e ninguém desconhecia, nem ele escondia, que gostava de um Logan.

Murilo então me contou – e isso serve de contraponto para o comentário impiedoso do Bolsonaro – que certa vez JK visitava Minas Novas, terra de Murilo Badaró, quando do meio da multidão uma voz masculina se destacava das demais, enquanto tentava pegar na mão do então governador de Minas e candidato à presidência da República. E gritava a plenos pulmões:

JK, sou eu… JK sou eu…

Juscelino cumprimentava um, apertava a mão de outro, e a voz a gritar:

JK, sou eu…

Até que resolveu apelar para o argumento definitivo:

JK, sou eu… sou de Diamantina…

Ao que Juscelino rebateu de pronto, com graça, com elegância, como convém a um político que vai pra rua pegar na mão do povo, para sentir o que Murilo chamava de “consciência cívica” da população:

Eu sei…reconheci…

Como?

Pelo bafo, é característico da nossa cidade…

Os tempos e os políticos são ou não são outros?

Foto: Sérgio Lima | AFP

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